Disque-Denúncia completa 20 anos de existência com solução de mais de 44 mil chamados nos últimos 5 anos

Iniciativa da Segurança Pública comemora duas décadas de parceria com a sociedade no combate à criminalidade

Por Redação NN1 com Ascom SSP 21 de Março de 2026 às 09:04
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Disque-Denúncia completa 20 anos de existência com solução de mais de 44 mil chamados nos últimos 5 anos
Imagem: Ascom SSP
O Disque-Denúncia 181 completa 20 anos de atuação, sigilo absoluto e milhares de prisões neste mês de março. Coordenado pela Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP), o canal é uma das principais ferramentas de cooperação entre a população e as forças de segurança no enfrentamento à criminalidade em Alagoas.

O serviço permite o repasse de informações de forma anônima e segura. Ao longo das últimas duas décadas, esse fluxo contínuo de dados tem contribuído para investigações, operações policiais e a prevenção de crimes. Nos últimos cinco anos, o canal auxiliou na solução de mais de 44,8 mil ocorrências. Cerca de 55% delas somente em 2025.

Integração fortalece o Disque-Denúncia em Alagoas

O serviço ganhou um marco estruturante em 27 de outubro de 2011, quando passou a ser integrado oficialmente à Secretaria de Segurança Pública. Até então, desde 2006 - quando o serviço foi implantado em Alagoas -, os canais anônimos de denúncia funcionavam de forma independente, com telefones de contato diferentes ligados às Polícias Militar e Civil. A unificação representou um avanço significativo, permitindo maior organização das informações e fortalecimento da inteligência policial.

Naquele período, o estado recebia o programa Brasil Mais Seguro, do Governo Federal, e era estruturado em três eixos: investigação de mortes violentas, fortalecimento do policiamento ostensivo e comunitário, e controle de armas ilegais. A iniciativa, em parceria com o Governo do Estado, priorizou municípios como Maceió, Arapiraca e Rio Largo, promovendo a integração entre ações estaduais e federais. O Programa também foi o pontapé inicial para a criação do Núcleo de Estatística e Análise Criminal (NEAC).


Com a criação dessas ferramentas, Alagoas passou a investir de forma mais consistente na produção e análise de dados, qualificando o mapeamento da criminalidade. Dos primeiros meses até aproximadamente janeiro de 2012, o Disque-Denúncia apresentou um aumento das taxas de resolução em Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLI), situada entre 70% e 80%, comparando com os números da época. Os resultados também foram percebidos com o engajamento da população.

Entre março e julho de 2012, durante a primeira grande campanha do Disque-Denúncia, o número de denúncias aumentou em 117%. Já em março de 2013, mais de um ano após a consolidação do modelo integrado, o crescimento já alcançava 329%, evidenciando a rápida adesão e confiança da sociedade no canal.

De acordo com o tenente-coronel Roberto Feliciano, primeiro coordenador do Disque-Denúncia Integrado de Alagoas, a atuação conjunta de policiais militares, civis e bombeiros permitiu maior eficiência e a ampliação da capacidade de resposta das instituições.

“Todos os profissionais já possuíam experiência prévia com atendimentos anônimos, por terem atuado anteriormente nos respectivos serviços de Disque-Denúncia das Polícias Militar e Civil, com exceção dos militares do Corpo de Bombeiros, que foram rapidamente capacitados. Ainda assim, desempenharam papel essencial na integração das ações coordenadas e na cadeia de responsabilidades decorrentes das denúncias recebidas”, disse o oficial, que hoje é subdiretor de Logística da PM-AL.

Crescimento e modernização ampliam alcance do serviço

Em 2016, o Disque-Denúncia passou por um novo processo de aperfeiçoamento e fortalecimento operacional, idealizado pelo então coordenador do Grupo Tático Integrado de Resgate Especial da Polícia Civil (Tigre/PC-AL) e atual secretário da Segurança Pública, Flávio Saraiva. Ele atuou de forma conjunta com a agente de polícia Eliane Araújo para dar início a uma reformulação nos métodos de atendimento e prioridades operacionais. 

Foram desenvolvidos o site e o aplicativo Disque Denúncia AL, ampliando o acesso da população ao serviço e permitindo o envio de informações de forma on-line, em poucos cliques. A plataforma da SSP disponível para os sistemas Android e IOS, inclusive, conquistou o terceiro lugar no 8º Concurso de Ações Inovadoras, promovido pela Secretaria de Estado do Planejamento, Gestão e Patrimônio de Alagoas (Seplag).

No ano seguinte, a coordenação do 181 foi assumida pela agente da Polícia Civil Ginah Wanderley, dando continuidade ao processo de fortalecimento iniciado. O canal então ampliou seu escopo de atuação, passando a receber e encaminhar denúncias de outras demandas sociais relevantes, como venda irregular de gás GLP, maus-tratos a idosos e crianças, entre outras ocorrências.

De acordo com Ginah, as denúncias relacionadas ao tráfico de drogas e crimes letais permaneceram como prioridade. “O envio das informações era feito, principalmente, por e-mail, direcionado aos batalhões e delegacias. Em casos mais urgentes e situações críticas - como ocorrências de homicídio, o contato era direto com setores estratégicos ou até mesmo repassadas de imediato às equipes em campo, aumentando as chances de intervenção e identificação de suspeitos”, disse.

Expansão do 181 consolidada


Em 2022, ao assumir a gestão da SSP, Flávio Saraiva designou a agente Eliane Araújo para assumir a coordenação do Disque-Denúncia, para continuar o processo de modernização e expansão do serviço.

Sob a coordenação da policial civil, o Disque-Denúncia avançou para uma etapa mais sistemática, com foco na qualificação das informações e na modernização da troca entre essas informações internamente. Segundo ela, esse processo marcou a transição de um modelo predominantemente formal para uma atuação orientada pelo cruzamento entre bancos de dados das forças de segurança e da Chefia de Inteligência da SSP.

“Nos últimos anos, o 181 deixou de ser apenas um canal de recebimento de denúncias e passou a atuar de forma mais integrada com as agências de inteligência. Houve investimento na padronização dos atendimentos, na capacitação das equipes e na organização das informações em sistemas próprios, o que permitiu maior agilidade no encaminhamento e mais precisão nas ações policiais”, destacou Eliane.

Os números mais recentes reforçam essa afirmação de crescimento contínuo. Em 2022, período de reformas e reformulação de sistemas internos, foram registradas 8.985 denúncias. Em 2023, o número subiu para 10.287 e, em 2024, chegou a 13.771 registros. Já em 2025, o Disque-Denúncia alcançou 41.625 denúncias, mais que triplicando o volume em relação aos anos anteriores.

Para o secretário, o 181 se consolidou como uma ferramenta estratégica dentro da política de segurança pública baseada em inteligência e participação cidadã.

“O Disque-Denúncia tem um papel absolutamente estratégico porque transforma a informação que vem da população em elemento direto para a ação das forças de segurança. Muitas vezes, o cidadão presencia uma situação, mas não sabe como agir ou tem receio de se expor. O 181 garante o anonimato e cria um ambiente de confiança. A partir dessas informações, conseguimos direcionar operações, fortalecer investigações e agir com mais precisão. É uma ferramenta que demonstra, na prática, como a participação da sociedade é decisiva para a construção de um estado mais seguro”, afirmou Saraiva.

Como e onde denunciar?

 
As informações podem ser repassadas de forma totalmente anônima por meio do número do 181, pelo aplicativo - disponível para iOS e Android - ou pelo site oficial: https://disquedenuncia.seguranca.al.gov.br.

O Disque-Denúncia é um serviço gratuito que permite denunciar crimes sem necessidade de identificação. As denúncias são recebidas 24 horas por dia e são encaminhadas às autoridades competentes para investigação.