A relação estremecida nos últimos meses entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), pode representar um desafio para a tentativa de reeleição do petista. Isso porque a aprovação, pelo Senado, de pautas consideradas prioritárias pelo governo é vista como essencial para impulsionar a popularidade do presidente.
Apesar das divergências, Lula tem mantido a postura conciliadora que marca sua trajetória política.
Integrantes do governo afirmam que o presidente evitou ampliar publicamente o conflito com Alcolumbre mesmo após a derrota de Jorge Messias no Senado. No Planalto, a avaliação é que um rompimento com o comando do Congresso dificultaria ainda mais a aprovação de pautas importantes para o governo.
A estratégia de Lula também passa pela relação construída com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). O fim da escala 6×1, por exemplo, avançou na Casa após Motta decidir dar andamento à proposta ainda em abril, com previsão de votação em maio.
Embora o governo tenha recuado da ideia inicial de enviar um projeto próprio e passado a apoiar a tramitação da PEC, Motta anunciou nesta terça-feira (13/5) que também dará andamento ao texto elaborado pelo próprio Planalto para regulamentar detalhes da mudança na jornada de trabalho.
Ainda assim, integrantes do governo avaliam que o avanço da pauta na Câmara não garante vitória política para Lula caso o texto encontre resistência no Senado. Nos bastidores, interlocutores do Planalto reconhecem que Alcolumbre exerce influência muito maior sobre os líderes partidários da Casa do que Motta tem atualmente sobre a Câmara.
O senador é descrito por interlocutores como um político de perfil reativo e altamente influente nos bastidores. Embora raramente faça enfrentamentos públicos diretos com o Palácio do Planalto, Alcolumbre atua silenciosamente nas articulações internas do Senado e nas negociações com líderes partidários, especialmente em temas ligados ao Judiciário e à relação entre os Poderes.