Fora da presidência do PL Mulher, a ex-primeira-dama, Michelle Bolsonaro, lançou, na última quinta-feira (9), o movimento “Imparáveis” para manter a mobilização conquistada pela ala feminina do Partido Liberal em meio à briga dentro da família Bolsonaro.
A iniciativa nasceu dentro da equipe do PL Mulher, e deverá herdar a organização e até mesmo a equipe de Michelle Bolsonaro na legenda. As atividades, porém, deverão ser voluntárias.
Depois de Michelle deixar o cargo, o presidente da legenda, Valdemar Costa Neto, extinguiu a presidência nacional, deixando somente os diretórios estaduais.
Com isso, a equipe do PL Mulher também deixou o quadro de funcionários do partido, e o escritório que ocupavam em Brasília será desocupado até o final deste mês.
O “Imparáveis” é descrito pelos seus integrantes como um movimento de inclusão feminina na política. Apesar de ter nascido dentro do Partido Liberal, dizem que não terá vinculação partidária.
A ideia é que a ex-primeira-dama continue sendo a porta-voz dos ideais que construiu no PL Mulher. Como mostrou o Metrópoles, mais de 72 mil mulheres se filiaram ao partido de Bolsonaro durante o período em que a esposa comandou a ala feminina.
A ação já começa a movimentar as redes sociais.
“Dificuldades” e ataques de “mentirosos”
Já nas primeiras publicações nas redes sociais, o “Imparáveis” postou um vídeo com recortes do filme “Mulher Maravilha”, de 2017, em que a protagonista é alvejada. Na versão publicada, os ataques seriam de “mentirosos”.
Na legenda, dizem que “Em meio às dificuldades, é preciso coragem para avançar”.
Michelle Bolsonaro deixou o comando do PL Mulher em meio à briga pública com o pré-candidato à Presidência e seu enteado, Flávio Bolsonaro (PL-RJ). No final de junho, a ex-primeira-dama disse, em dois vídeos, que foi “humilhada” e “desrespeitada” pelo filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Dias depois, em meio ao desgaste causado pelo vídeo na pré-campanha, Michelle se reuniu com Valdemar, que pediu que a ex-primeira-dama se retratasse publicamente em defesa do pré-candidato ao Planalto. Michelle se recusou e entregou o cargo que exercia no partido.
Flávio chegou a se manifestar dizendo que nunca ofendeu Michelle e que “se o fiz em algum momento, mais uma vez, peço desculpas” e tentou convidá-la a uma reunião que faria com lideranças femininas dias depois do vídeo de Michelle. O convite, segundo aliados da ex-primeira-dama, nunca foi feito.
Desde então, e com uma resistência histórica no eleitorado feminino e evangélico, a pré-campanha de Flávio tem tentado fazer acenos às mulheres por meio de aliadas de Michelle.
Priscila Costa, deputada federal e pivô na briga entre Flávio e Michelle, viajou a Portugal para uma marcha pró-vida com vídeo de apoio do pré-candidato à Presidência. Como mostrou o Metrópoles, a vice-presidente de Michelle no PL Mulher não compareceu ao lançamento da pré-candidatura de Alcides Fernandes (PL) ao Senado, outra figura central do racha.
Como o Ceará foi palco do racha entre Flávio e Michelle
- Ainda em 2025, o deputado federal e presidente do diretório do PL Ceará, André Fernandes, passou a ensaiar uma aproximação entre Jair Bolsonaro e o ex-adversário Ciro Gomes (PSDB), com aval do ex-presidente;
- A iniciativa buscava pavimentar o caminho para uma aliança para se opor à reeleição de Elmano de Freitas (PT) ao governo do Ceará em 2026;
- A aliança com Ciro é contestada por Michelle Bolsonaro, que defende o apoio a Eduardo Girão (Novo) para o governo do Estado e uma chapa puro-sangue composta por Alcides Fernandes e Priscila Costa;
- No entanto, o acordo com o PSDB implica que o PL deverá indicar apenas uma das duas vagas ao Senado, destinando a segunda indicação ao grupo de Ciro Gomes. Com isso, o diretório acertou o nome de Alcides Fernandes, deixando a aliada de Michelle de fora;
- Michelle sustenta que Bolsonaro escolheu Priscila, e que a decisão do diretório local desrespeitaria a vontade do ex-presidente, algo que André e Flávio negam.