Em meio à indefinição sobre a formação das chapas majoritárias para as eleições em Alagoas, o deputado federal Arthur Lira (PP-AL), pré-candidato ao Senado, afirmou que a federação União Progressista pode lançar uma candidatura própria ao governo do estado caso a aliança como o grupo do ex-prefeito de Maceió JHC (PSDB) não seja concretizada. De acordo com o parlamentar, no entanto, o principal objetivo segue sendo aguardar a decisão do tucano, que ainda não definiu em qual lado ficará na disputa local.
Em entrevista a rádio "Jovem Pan Maceió", nesta segunda-feira (21), Lira ressaltou que votou em JHC no segundo turno das eleições municipais de 2020 e, já em 2022, "trabalhou fortemente" para que o ex-prefeito concorresse ao governo contra o candidato à sucessão de Renan Filho (MDB), o governador Paulo Dantas (MDB). Apesar disso, eles se distanciaram, e JHC chegou a não comparecer ao lançamento da pré-candidatura do ex-presidente da Câmara, em março.
— O meu mandato (na presidência da Câmara) sempre esteve à disposição de Maceió. Eu não tenho nenhum problema em formar uma aliança com o ex-prefeito JHC — disse Lira. — Eu não tinha dúvidas que ele iria levar isso (indefinição) até o último momento, que é a convenção. Agora, se por acaso isso não acontecer, nós do União Progressista e dos partidos que estamos trabalhando, provavelmente vamos ter um candidato próprio — completou.
Atualmente, Lira tem o apoio da família Bolsonaro, que também conta o deputado federal Alfredo Gaspar como o nome do PL para o Senado. Sem um candidato ao Palácio República dos Palmares, ambos desejam estar ao lado de JHC, que, caso confirme a candidatura, irá disputar contra o senador e ex-governador Renan Filho — palanque do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no estado.
JHC saiu do PL no final de março, quando foi destituído do comando estadual do partido pelo presidente nacional, Valdemar Costa Neto. O ex-prefeito ficou insatisfeito por não ter autonomia para formar sua chapa, uma vez que o partido já tinha uma vaga reservada justamente a Lira, e passou a presidir o diretório local do PSDB disposto a organizar seu próprio arranjo.
Segundo Lira, o objetivo da candidatura própria seria definir um "posicionamento político" mais claro de seu bloco partidário para Alagoas. O deputado também ponderou, no entanto, que "não tinha dúvidas" de que JHC iria postergar sua decisão "até o último momento".
A convenção do PSDB está prevista para o dia 5 de agosto, data limite definida pela Justiça Eleitoral, enquanto as do PL e do PP devem ocorrer em 1° de agosto. As três ainda não possuem confirmação devido às articulações para a formação das chapas.
Gaspar, inicialmente, defendeu que ficaria ao lado de JHC “desde que ele não apoie Lula”, conforme disse ao GLOBO. Já em sua declaração mais recente, o deputado subiu o tom e declarou que o apoio “vai depender exclusivamente” da postura do ex-prefeito em relação ao palanque à Presidência e, caso não seja possível, o PL também irá se movimentar para ter um candidato próprio.
Corrida eleitoral
Membros do PL avaliam que a decisão de tirar JHC do controle do partido pode gerar consequências na formação da chapa pretendida por Gaspar, que verbaliza ter o desejo de contar com o ex-prefeito. Isso ocorre porque o entendimento é que não há outro nome forte para concorrer ao governo pela sigla, com exceção do deputado. Outro fator que dificulta a composição é o desejo de JHC em lançar sua mãe à reeleição, a senadora Eudócia Caldas (PSDB).
Como mostrou o GLOBO, a atual composição também gera desconfiança no entorno de Lira. Gaspar é visto como alguém com maior identificação com o bolsonarismo, o que pode custar os votos mais à direita do que o ex-presidente da Câmara busca angariar. A avaliação de aliados é que o cenário predileto para Lira é polarizar a disputa contra o senador Renan Calheiros (MDB), nome apoiado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no pleito e com quem protagoniza uma das maiores rivalidades políticas do país, o que lhe garantiria o voto dos eleitores avessos à esquerda.
Para não recuar e precisar buscar a reeleição na Câmara, Lira aposta em sua popularidade no interior do estado. Ao longo de sua gestão na Casa, ele distribuiu recursos para cidades de Alagoas e buscou se aproximar de prefeitos. No lançamento de sua pré-candidatura, em março, 83 dos 102 gestores municipais estiveram ou mandaram representantes para o evento.
No MDB, Calheiros quer se reeleger para a quinta legislatura no Senado. O outro nome definido para concorrer à Casa é o deputado estadual José Wanderley Neto (MDB), conhecido como Dr. Wanderley. Durante a janela partidária, Renan chegou a convidar publicamente JHC para se filiar à sigla, o que acabou não ocorrendo.
Em busca de atravessar as negociações comandadas por Gaspar, o diretório nacional do PT também tentou se aproximar de JHC. Petistas afirmam que o objetivo seria fazer com que ele cumpra com o acordo que teria firmado com Lula em agosto do ano passado, quando o presidente indicou Marluce Caldas, tia do ex-prefeito, para o Superior Tribunal de Justiça (STJ), em troca de apoio político. No início do mês passado, o presidente nacional do PT, Edinho Silva, afirmou que ambos têm uma “excelente relação”. De lá para cá, no entanto, não houve avanço nas tratativas.