O “Fantástico” soube construir sua história, que nesta quarta-feira (5) completa 53 anos, porque, desde o primeiro dia, sempre buscou equilibrar informação, serviço e entretenimento.
No início de tudo, um grupo de notáveis se reunia todas as segundas-feiras, sob a liderança de Boni e Walter Clark, para definir a pauta da semana e o que, além do jornalismo, seria apresentado no domingo seguinte.
Em uma dessas ocasiões, inclusive, houve a decisão de gravar a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, sob a regência de Eleazar de Carvalho, na Igreja da Consolação, em São Paulo.
Foram cinco dias de trabalhos, noite e dia, para a preparação, com o aluguel dos caminhões de externas da TV Gazeta — os mais bem equipados da época — e direção de Augusto César Vannucci. Na gravação do sábado, tudo saiu perfeitamente de acordo. Um espetáculo. Só que, no programa de domingo, pouco menos de um minuto foi ao ar.
O espelho, concorrido e recheado de pautas tão interessantes quanto, não permitiu um segundo a mais.
Nos últimos tempos, porém, essa identidade parece ter perdido um pouco a força. O programa, em vários momentos, se mostra arrastado, desinteressante e com uma dinâmica distante da agilidade característica de suas melhores fases.
Não se trata de falta de competência da equipe, mas, muito provavelmente, do momento de uma rediscussão do formato.
Evidente que ninguém pode exigir desempenho de excelência o tempo todo. Altos e baixos fazem parte da televisão.
Mas o “Fantástico”, por sua importância e significado, precisa reduzir tais oscilações ao mínimo tolerável.
Voltar às origens, investir ainda mais em grandes reportagens, buscar fatos realmente inéditos, surpreender o público e recuperar o ritmo que sempre o distinguiu não é apenas um desafio, mas uma absoluta necessidade.