A primeira-dama, Janja da Silva, pediu, nesta quinta-feira (6), que o Discord seja bloqueado no Brasil. Ela afirmou durante cerimônia no Palácio do Planalto que o governo precisa buscar o Legislativo para tirar a “rede horrorosa do ar”. O apelo foi feito após uma adolescente de 13 anos se suicidar durante uma transmissão na plataforma.
“Eu não posso aceitar ver uma menina de 13 anos se mutilar ao vivo no Discord e morrer. Esse não é um caso isolado, são muitos casos. Precisamos atuar junto ao Judiciário para tirar essa rede do ar”, afirmou Janja.
A morte da jovem foi investigada pelo Ministério da Justiça por meio da operação Lívia, que faz homenagem à vítima. De acordo com a pasta, a menina, natural de Navaraí (MS), havia sido coagida por um grupo extremista a se automutilar e se enforcar, enquanto participava de uma chamada de vídeo que durou mais de 40 minutos e estava acessível para mais de 200 usuários.
Outra adolescente, de 17 anos, também foi vítima dos abusos e sobreviveu. Após a investigação, o ministério constatou que o Discord possui uma falha sistêmica na aplicação de seus mecanismos de proteção de crianças e adolescentes.
Popular entre jovens interessados em jogos de videogame, o Discord é uma rede social que permite a criação de servidores privados de conversas, que ocorrem por meio de chamadas de vídeo e voz.
De acordo com o Discord, a idade de seus usuários é verificada mediante o acesso de conteúdos considerados impróprios para menores. O reconhecimento é feito pela análise de reconhecimento facial e documentos. Leia aqui o artigo da plataforma.
AGU move ação
Após ouvir a declaração do Ministério da Justiça, o advogado-geral da União, Jorge Messias, manifestou interesse no caso. Messias pediu que as informações da operação Lívia sejam encaminhadas à Advocacia Geral da União (AGU) o mais rápido possível.
Segundo o advogado, o objetivo é mover uma ação civil pública contra o Discord.