A Polícia Federal (PF) coordenou, entre maio e agosto de 2026, a Operação Omnes, que resultou na prisão de 724 pessoas procuradas pela Justiça por crimes contra a vida, incluindo homicídio simples, homicídio qualificado e feminicídio.
As ações tiveram como objetivo localizar e prender investigados ou condenados que estavam foragidos. Para isso, as forças de segurança compartilharam informações e utilizaram recursos de inteligência que ajudaram a identificar a localização dos procurados em diferentes estados.
A divulgação dos resultados ocorre nesta quarta-feira (12), Dia Nacional dos Direitos Humanos, e durante o Agosto Lilás, período de conscientização e enfrentamento à violência contra a mulher.
“A data reforça a importância da atuação integrada das instituições no combate aos crimes contra a vida e na responsabilização dos autores desses crimes, pilares essenciais para a garantia e a promoção dos direitos humanos para toda a população”, disse a corporação.
Investigação
Entre os casos relacionados à operação está a prisão de Cícero Nunes da Silva, de 62 anos, localizado em Joaquim Nabuco (PE). Ele estava foragido há 24 anos e era investigado pelo assassinato de uma adolescente grávida em São Bernardo do Campo (SP), em 2002.
Cícero foi preso em 29 de julho, no bairro Nova Cuiabá, onde, segundo as informações da PF, vivia havia cerca de dez anos.
A localização foi possível após informações produzidas pelo Grupo de Capturas (GCAP) da Superintendência Regional da PF no Amazonas (SR/PF/AM) serem repassadas às forças de segurança de Pernambuco.
A prisão contou com a participação das polícias Civil e Militar de Pernambuco.
Segundo as investigações, o crime ocorreu na noite de 21 de novembro de 2002, dentro de um ônibus. Na época, Cícero trabalhava como cobrador do coletivo.
De acordo com a polícia, ele teria se irritado com um grupo de adolescentes que havia conseguido uma carona e cantava durante a viagem. Após uma discussão, o então cobrador teria atacado com uma faca Priscila Anastácio da Silva, de 17 anos, que estava grávida. Ela morreu em decorrência dos ferimentos.
Uma segunda adolescente, de 16 anos, também foi ferida ao tentar defender a amiga, mas sobreviveu. Desde o crime, Cícero permanecia foragido.
Outro caso
Outro caso ocorreu em Catanduva (SP). Um homem de 42 anos foi preso em flagrante após a morte da companheira, Juliana Cristian de Oliveira, de 46 anos, e de Rodrigo Aderne, de 21, na noite de 25 de julho.
Segundo a Polícia Civil, Weslei José da Silva confessou os crimes e afirmou que agiu por ciúmes, após suspeitar de um relacionamento entre as duas vítimas.
O suspeito foi localizado por policiais militares na Rodovia Washington Luís (SP-310), próximo ao pedágio do distrito de Agulha, em Fernando Prestes (SP). Ele estava em um carro e, segundo a polícia, portava a arma que teria sido usada nos crimes.
Conforme o boletim de ocorrência, Rodrigo estava na calçada de casa quando iniciou uma discussão com Weslei. O suspeito teria deixado o local, mas retornou pouco depois armado, quando desceu do veículo e atirou contra Rodrigo. O jovem morreu no local.
Depois, o suspeito teria ido até a casa onde morava com Juliana. Após discussões entre os dois, os filhos da mulher a encontraram morta na sala da residência.
Weslei foi levado ao Plantão Policial de Catanduva e autuado em flagrante por feminicídio e homicídio qualificado.
Operações
Os resultados da Operação Omnes fazem parte de um trabalho mais amplo de localização de foragidos realizado pela PF em parceria com outras forças de segurança, incluindo equipes das Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado (Ficcos), polícias estaduais e outras instituições.
Segundo dados do Ministério da Justiça obtidos pela coluna, em 2024, foram 14.106 pessoas presas pela PF ou por outras corporações a partir de informações fornecidas pela instituição. Entre elas, estavam 2.133 investigados ou condenados por homicídio ou feminicídio.
Em 2025, foram 14.007 capturas, sendo 2.428 relacionadas aos mesmos crimes.
Já neste ano, 11.767 pessoas foram presas até o momento. O número inclui prisões realizadas diretamente pelos Grupos de Capturas da corporação e outras feitas por forças estaduais ou municipais a partir de informações fornecidas pela PF.