O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDic), Márcio Elias Rosa, sinalizou, nesta quinta-feira (27/8), que prevê “diálogo difícil” nas negociações entre Brasil e Estados Unidos a respeito do tarifaço.
“Eu sou um otimista. Negociador pessimista perde. Eu sou otimista, mas é óbvio que vai ser um diálogo difícil porque já foi difícil no passado. Mas nós já sabemos qual o caminho a percorrer“, disse o ministro. Elias acrescentou que “jamais proporíamos algo que pudesse causar dano à economia nacional”.
O ministro se reúne com o representante comercial dos Estados Unidos (USTR), Jamieson Greer, na próxima segunda-feira (31/8) para tratar das negociações a respeito das tarifas impostas ao Brasil norte-americanos.
Ainda na entrevista coletiva, Elias Rosa disse que a orientação do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), orientou que “a absoluta prioridade é negociar e, eventualmente, fechar um acordo”.
“A gente retoma as discussões com a expectativa, com a esperança de fazer um bom acordo. E faremos acordo se eles forem bons”, frisou o ministro.
A fala do ministro foi dada em entrevista coletiva à imprensa em Brasília durante a assinatura de Memorando de Entendimento (MoU) entre a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Atração de Investimentos (ApexBrasil) e a Confederação das Indústrias Indianas (CII).
O encontro virtual entre Elias Rosa e Greer foi viabilizado após o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e o chefe de Estado norte-americano, Donald Trump, conversarem, por telefone, na última sexta-feira (21/8). A chamada foi feita pelo líder brasileiro e durou 1h20.
O objetivo do encontro, segundo antecipou o ministro Márcio Elias publicamente, é negociar para ampliar a lista de isenção das tarifas.
Tarifaço
- O novo tarifaço, de 37,5%, imposto pelos EUA sobre produtos brasileiros entrou em vigor em julho.
A decisão foi anunciada pelo Escritório do Representante de Comércio Americano (USTR), que encerrou investigação aberta contra o Brasil com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. - Segundo o governo Trump, o Brasil adota práticas comerciais consideradas desleais em áreas como comércio digital, acesso ao mercado de etanol, combate ao desmatamento e políticas relacionadas ao Pix.
- Apesar do endurecimento da medida, o governo Trump deixou fora da sobretaxa mais de 2,1 mil produtos. A intenção é mitigar danos à economia dos EUA e evitar rupturas em cadeias de suprimentos essenciais.
Relação Brasil-Índia
No evento desta quarta, as relações entre Brasil e Índia também foram destacadas. O país mais populoso do mundo tem PIB de US$ 4,1 trilhões e se tornou a oitava maior iportadora mundial.
“O Brasil vem buscando diversificar mercados, acessando novos mercados intensamente. A Índia é um exemplo disso”, disse.
As exportações do Brasil para este país teve recorde histórico nos últimos 20 anos com a marca de R$ 6,9 bilhões. O Brasil mapeou 378 oportunidades mapeadas para produtos brasileiros em solo indiano.