A Receita Federal, o Ministério Público Federal e o Ministério Público do Mato Grosso do Sul desarticularam nesta terça-feira (22) esquema de importação clandestina de perfumes árabes para distribuição no Brasil. Os produtos vinham contrabandeados do Paraguai e eram revendidos pela internet, inclusive com ajuda de influenciadores.
A Operação Perfume de Mulher cumpriu 16 mandados de busca e apreensão no Mato Grosso do Sul, São Paulo e Pernambuco. A Justiça Federal também pediu a prisão da coordenadora do grupo e autorizou o bloqueio de até R$ 100 milhões em bens dos envolvidos.
A operação apura a prática dos crimes de descaminho, evasão de divisas e lavagem de capitais. O grupo teria movimentado mais de R$ 300 milhões e utilizava criptoativos para pagar fornecedores estrangeiros.
Segundo as investigações, o esquema começava em Ponta Porã (326 km de Campo Grande). Os suspeitos vinham do Paraguai com a carga irregular em veículos e entravam no Brasil pelo município, que fica na fronteira entre os países.
Na sequência, os perfumes clandestinos iam até depósitos em Campo Grande e, de lá, eram levados a outros centros de distribuição em São Paulo e Pernambuco. As mercadorias, então, eram distribuídas para diferentes estados.
As vendas ocorriam nas redes sociais, lojas e shoppings virtuais (e-commerces e marketplaces). Segundo o Ministério Público Federal, os influenciadores atuavam para impulsionar a divulgação.
Em um dos sites onde os produtos ilegais eram vendidos, a quadrilha se apresentava como "a maior referência em perfumaria árabe do Brasil".
Conforme mostrou a Folha de S. Paulo, os perfumes árabes são itens cobiçados pelos consumidores brasileiros. As fragrâncias têm características variadas e possuem custo-benefício atrativo aos compradores no país por conta da fixação e dos preços.
As pesquisas por termos relacionados a esta perfumaria estrangeira mais que dobraram entre o fim de 2024 e junho de 2026. Já as buscas por "perfumes árabes femininos" dobraram nos últimos cinco anos. A popularização contou com a ajuda de influenciadores que "viralizavam" as marcas estrangeiras.
Para dar aparência de legalidade ao esquema, os suspeitos usavam notas fiscais fraudadas, com informações falsas sobre o conteúdo das cargas, além de recorrerem a diversas empresas para simular operações comerciais regulares.
As investigações também apontam indícios de lavagem de dinheiro por meio de empresas de fachada e do uso de "laranjas". Os investigados ainda teriam ocultado patrimônio e movimentado valores incompatíveis com a renda declarada.
As apurações começaram a partir de apreensões realizadas entre 2024 e 2026, período em que os órgãos de fiscalização registraram mais de 20 ações ligadas à organização criminosa. Uma delas, em outubro de 2025, resultou na retenção de cerca de R$ 10 milhões em perfumes importados irregularmente.