O COI afirmou que os EUA não são passíveis de punição no âmbito do Movimento Olímpico. A entidade explicou os critérios que orientam as decisões diante de conflitos e tensões geopolíticas nesta segunda-feira (12). O contexto atual envolve os conflitos recentes entre Estados Unidos e Venezuela, e tem em vista os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028.
A posição foi apresentada em resposta a questionamentos do Metrópoles e pode ser atribuída a um porta-voz da entidade.
Segundo o COI, em um cenário global marcado por conflitos e divisões, o esporte deve permanecer como um “farol de esperança”. Esse entendimento está no centro dos Princípios Fundamentais do Olimpismo, e foi reafirmado pelo Conselho Executivo da entidade em setembro de 2025.
A entidade ressalta que, como organização global, precisa lidar com uma realidade internacional complexa a cada edição dos Jogos Olímpicos, levando em consideração o contexto político vigente e os acontecimentos mais recentes no mundo. Ainda assim, o COI sustenta que sua principal missão é garantir a participação de atletas de todas as origens, preservando o caráter universal e inclusivo do esporte.
Por essa razão, o Comitê destaca que não pode se envolver diretamente em disputas políticas ou conflitos entre países, por se tratarem de questões fora de sua alçada. “Isso é domínio da política. Nosso papel é garantir que os atletas possam participar dos Jogos Olímpicos, independentemente de sua origem”, afirmou um porta-voz do comitê.
O COI citou os Jogos Olímpicos de Paris 2024 como exemplo desta postura. De acordo com a entidade, atletas de todos os 206 Comitês Olímpicos Nacionais, além da Equipe Olímpica de Refugiados, competiram e conviveram pacificamente na Vila Olímpica, apesar da complexidade da situação geopolítica internacional.
Suspensão da Rússia
Ao tratar especificamente de sanções, o Comitê reforçou que a suspensão do Comitê Olímpico Russo (COR) não pode ser comparada a outras situações envolvendo conflitos, como os Estados Unidos e a Venezuela.
Segundo o COI, a punição ao COR decorre de uma decisão unilateral tomada em 5 de outubro de 2023, quando a entidade russa anexou e reivindicou como membros organizações esportivas regionais localizadas em território pertencente ao Comitê Olímpico Nacional da Ucrânia.
Esta ação, de acordo com o COI, viola a Carta Olímpica ao atentar contra a integridade territorial do comitê ucraniano, princípio reconhecido e protegido pela entidade. Por isso, o Comitê sustenta que os casos não são equivalentes.
Leia a nota:
Em um mundo abalado por conflitos e divisões, o Comitê Olímpico Internacional mantém-se firme na sua convicção de que o esporte deve permanecer um farol de esperança – uma força que une o mundo inteiro em competições pacíficas. Isso está no cerne do Movimento Olímpico e deriva dos Princípios Fundamentais do Olimpismo. Tal princípio foi reafirmado pelo Conselho Executivo do COI em setembro de 2025.
Como organização global, o COI precisa lidar com uma realidade complexa. A cada edição dos Jogos Olímpicos, o COI precisa levar em conta o contexto político vigente e os últimos acontecimentos no mundo. Sempre fizemos isso com sucesso. A capacidade de unir atletas, independentemente de sua origem, é fundamental para o futuro de um esporte verdadeiramente global, baseado em valores, que possa trazer esperança ao mundo.
Por essa razão, o COI não pode se envolver diretamente em questões políticas ou conflitos entre países, pois estes estão fora de nossa alçada. Isso é domínio da política. Nosso papel é garantir que os atletas possam participar dos Jogos Olímpicos, independentemente de sua origem.
Nos Jogos Olímpicos de Paris 2024, atletas de todos os 206 Comitês Olímpicos Nacionais e da Equipe Olímpica de Refugiados participaram de suas modalidades nos locais de competição olímpica e conviveram pacificamente na Vila Olímpica, apesar da complexa situação geopolítica internacional.
A suspensão do Comitê Olímpico Russo (COR) baseia-se na decisão unilateral tomada pelo COR em 5 de outubro de 2023 de anexar e reivindicar como membros diversas organizações esportivas regionais dentro do território do Comitê Olímpico Nacional da Ucrânia. Isso constitui uma violação da Carta Olímpica, pois atenta contra a integridade territorial do CON da Ucrânia, conforme reconhecido pelo COI em conformidade com a Carta Olímpica. Portanto, as duas situações não são comparáveis.
Isso foi confirmado pelo Tribunal Arbitral do Esporte, que declarou o seguinte em sua sentença (2023/A/10093 ROC v. COI), proferida em 23 de fevereiro de 2024: “As referências do ROC aos conflitos sobre o território da Caxemira, aos conflitos sobre o território de Nagorno-Karabakh e aos conflitos na Palestina são descabidas, pois essas situações diferem significativamente do presente caso. Ao contrário do presente caso, os CONs relevantes não estenderam sua área de jurisdição sobre a de outro CON ou para além de sua própria área de jurisdição”.