Uma pesquisa do Datafolha divulgada na quinta-feira (21) aponta que 68% dos endividados brasileiros dizem acreditar que vão se beneficiar com o Desenrola 2, segunda edição do programa do governo federal para renegociação de dívidas. Um percentual maior, de 82%, vê impacto positivo para a economia de forma geral.
Segundo o levantamento, mais de 6 em cada 10 brasileiros (62%) ficaram sabendo da nova edição do Desenrola. O percentual de 68% de otimistas com o programa é bem superior ao de endividados que avaliam o governo do presidente Lula (PT) como ótimo e bom (31%) ou aprovam o trabalho do petista (46%).
Entre não endividados, 39% enxergam benefícios para suas finanças pessoais e 73% para a economia em geral, índices também acima dos 30% que consideram o governo ótimo e bom e dos 45% que aprovam o desempenho de Lula.
A pesquisa do instituto Datafolha entrevistou 2.004 pessoas em 139 municípios brasileiros entre 12 e 13 de maio. A margem de erro é dois pontos percentuais para mais ou para menos.
Somando grupos de endividados e não endividados, 77% declaram otimismo com efeitos do programa sobre a economia, dividindo-se entre 49% que dizem acreditar que a atividade se beneficiará muito e 28% que irá ter um pouco de benefícios. Outros 17% disseram que a economia não irá se beneficiar e 5% não souberam responder.
Levando em consideração os 53% que acham que vão sentir no bolso impactos positivos do Desenrola 2, 39% acreditam que vão se beneficiar muito e 19% um pouco. Por outro lado, ponderou o Datafolha, 4 em cada 10 brasileiros afirmam que não terão benefícios pessoais.
O levantamento também mediu peso político na opinião das pessoas sobre o programa. Entre quem declara voto em Lula nas eleições de 2026, 64% acreditam que vão se beneficiar. Já no grupo que apoia Flávio Bolsonaro (PL-RJ), esse percentual cai para 44%.
De acordo com o Datafolha, moradores da região Nordeste, jovens e aqueles que ganham até dois salários mínimos são os grupos que se mostram mais otimistas com o Desenrola: 62% dos nordestinos acreditam que serão beneficiados; esse índice marca 60% entre quem tem entre 25 e 34 anos e 61% na faixa salarial de até R$ 3.242 por mês.
Desenrola 2
Com duração de 90 dias, o novo Desenrola deve se estender até agosto. Os descontos variam de 30% a 90%, a depender do tipo de dívida e do prazo de pagamento. Os juros máximos anunciados pelo governo federal chegam a 1,99% ao mês.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nessa quinta, em coletiva de imprensa, que a segunda edição do programa já renegociou R$ 10 bilhões em dívidas de famílias e contratos do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), alcançando 1 milhão de CPFs e atingindo cerca de 1,1 milhão de operações.
A partir de terça (26), trabalhadores poderão usar recursos Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para quitar débitos no Desenrola.
As regras incluem utilização de até 20% do saldo disponível do FGTS ou até R$ 1 mil, prevalecendo o valor maior.