O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou neste sábado (25), ao oficializar sua candidatura à Presidência da República durante a convenção nacional do PL, que, embora tenha um perfil mais "calmo” e “tranquilo", ele tem "sangue de Bolsonaro" e carregará o legado político do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A afirmação tem como contexto a recente radicalização do discurso político de Flávio, que passou, nas últimas semanas, a questionar as urnas eletrônicas e a elevar o tom contra o Judiciário.
"Eu garanto, eles não vão nos intimidar, porque eu posso ser mais calmo, mais sorridente, mais tranquilo e moderado, mas aqui tem sangue de Bolsonaro”, declarou, em um dos momentos mais aplaudidos de seu discurso.
Ao longo de sua fala, Flávio também fez duras críticas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirmando que o Brasil foi “sequestrado” pela atual gestão e que uma eventual reeleição do petista levaria o país a um governo autoritário.
"Meu nome também carrega a esperança de um país inteiro, um país que não aguenta mais ser refém do medo, da corrupção, dos altos impostos, da inflação que acabou com o poder de compra do povo brasileiro e da incompetência e da corrupção dos governos do PT. Essa turma que, a cada eleição, promete sempre uma vida melhor e nunca entrega o que prometeu”, disse.
Neste sentido, Flávio também adotou clima alarmante ao falar da possibilidade de Lula conseguir seu quarto mandato. Segundo ele, isso faria o petista indicar mais quatro ministros do Supremo Tribunal Federal, o que poderia, na sua avaliação, reduzir a liberdade nas redes sociais.
"Vocês não terão liberdade para escrever nas redes sociais, com Lula indicando mais quatro ministros ao STF", enfatizou
O senador também se emocionou ao mencionar a ausência do pai na convenção. Ao encerrar o discurso, repetiu o lema que marcou a campanha presidencial de Jair Bolsonaro em 2018: "Brasil acima de tudo, Deus acima de todos".
A convenção do partido aconteceu na manhã deste sábado (25), em um momento de dificuldade do candidato para fechar acordos de apoio nos palanques estaduais. Isso porque partidos como Progressistas e União Brasil sinalizaram, recentemente, que preferem optar pela neutralidade em vez de apoiar a candidatura bolsonarista.
Apesar desse possível isolamento, do ponto de vista da coligação, o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), e alguns pré-candidatos a governos dos estados estiveram presentes. Um deles foi o ex-juiz e pré-candidato ao governo do Paraná, Sérgio Moro (PL).
“Se nós não tomarmos cuidado aqui no nosso país nós vamos acabar entrando numa das maiores decisões da história do Brasil. A irresponsabilidade com que esse governo Lula vem tratando no Brasil é algo que nós precisamos alertar a cada um dos brasileiros das brasileiras. Nós estamos numa situação muito muito crítica do ponto de vista da irresponsabilidade fiscal”, atacou Nunes.
Mesmo sem uma confirmação de que o Republicanos ficará neutro na corrida presidencial, o governador paulista e candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas, também foi outro nome que marcou presença na convenção.
“Eu sei que nós saber que o nosso presidente Bolsonaro não está com a gente aqui. Eu sei que isso dói. Mas eu sei também que o Brasil tem gente, eu sei também que o Brasil não nasceu pra ser pequeno”, disse Tarcísio, colocando Flavio como sucessor do legado bolsonarista.
“A gente vai eleger uma pessoa que vai honrar seu pai, que vai honrar o legado, que vai ter compromisso com o Brasil. A gente vai eleger - eu ouso dizer - o maior presidente da história, porque ainda vai ser maior que o seu pai Bolsonaro”.
O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, foi o responsável por abrir a convenção e aproveitou para fazer elogios a Jair Bolsonaro, lembrando que o nome de Flávio foi uma escolha do ex-presidente.
“Jair Messias bolsonaro foi o maior líder que vi na minha vida. O carisma desse homem parece ter vindo de outro planeta. (…) Flávio foi escolhido pelo seu pai para dar continuidade a esse trabalho que deu certo”, disse.
A presença do presidente da Argentina, Javier Milei à convenção deste sábado foi considerado uma estratégia para a campanha de Flávio, mas o que mais pesou foi a presença oculta do presidente dos EUA, Donald Trump, que atacou o Brasil com mais 37,5% de tarifas e tentou enviar dois funcionários do Departamento de Estado para bisbilhotar o processo eleitoral e o TSE, sem sucesso.
Um vídeo gerado por inteligência artificial com a imagem e a voz do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL),causou surpresa. Logo no início, a versão criada por IA, esclareceu que não se tratava de uma gravação real. "Isso que vocês estão vendo aqui não sou eu. Isso é uma simulação da minha imagem e da minha voz feita com inteligência artificial", diz o vídeo.
Na sequência, a mensagem atribui a prisão de Bolsonaro a uma decisão "injusta e arbitrária" e afirma que ele jamais praticou os atos pelos quais foi condenado. O vídeo também pede apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro.
"Nenhuma prisão vai calar milhões de brasileiros que acreditam no nosso país. Por isso, peço que recebam de braços abertos a pessoa que escolhi para me substituir, sangue do meu sangue, o meu filho Flávio. Vem com fé! O Brasil tem futuro. E o futuro é Flávio Bolsonaro presidente", afirma a simulação.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, também declarou apoio ao senador Flávio Bolsonaro.
Em uma mensagem gravada em vídeo, o líder israelense elogiou Flávio e afirmou que ele poderá elevar a relação entre os dois países a um novo patamar.
"Quero parabenizar você pelo lançamento oficial da sua campanha. Você é um grande campeão do Brasil, um grande campeão da amizade entre nossos povos, e eu sei que você levará o Brasil a patamares mais altos", afirmou Netanyahu.
Outro vídeo trouxe a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que fez apenas uma menção direta ao enteado.
Ao longo da gravação, Michelle concentrou a maior parte da mensagem em um aceno ao eleitorado feminino, destacando o papel das mulheres na política e na sociedade. A única referência direta ao senador ocorreu na reta final do vídeo.
"Flávio, que Deus abençoe e proteja sua candidatura, que ele te dê sabedoria, coragem e força a você e à sua família para cumprir essa missão com a lealdade e a verdade que o nosso povo merece", disse.
Ao se dirigir ao público feminino, Michelle destacou que as mulheres representam 53% do eleitorado brasileiro e as incentivou a ocupar espaços de decisão sobre o futuro do país. Segundo ela, a eleição será decidida pelo voto feminino e cabe às mulheres conquistar cada eleitor.
"Mulheres, nós somos a força que acolhe, educa, protege, convence e transforma. Muitas de nós ainda não perceberam o tamanho dessa potência, mas o Brasil precisa dela. Precisa de mulheres presentes, preparadas e dispostas a ocupar cada vez mais espaço de decisão, liderança e poder", disse.
Michelle também adotou um tom religioso ao longo do discurso. Além de abençoar a candidatura de Flávio, afirmou que o Brasil vive "uma guerra de ideias e de narrativas" que "também tem uma dimensão espiritual" e disse que não recuará da batalha "porque Deus está conosco".