O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou neste sábado (25) que qualquer tentativa de interferência estrangeira nas eleições brasileiras será rechaçada. Durante a convenção estadual da federação formada por PT, PCdoB e PV, em São Paulo, o petista declarou que "quem quiser de fora vir se meter nas eleições brasileiras vai apanhar muito".
"E que não venha ninguém de fora querer meter o dedo nas nossas eleições. [...]. Quem vai decidir o destino desse país são 157 milhões de eleitores. Quem vai decidir o destino de São Paulo são os eleitores de São Paulo", afirmou.
Na sequência, Lula voltou a defender a soberania nacional e disse que o Brasil pretende manter boas relações com outros países, mas sem abrir mão da autonomia.
"O Brasil é soberano. O Brasil quer manter relações com todos os países do mundo. O Brasil não quer guerra, o Brasil quer paz. O Brasil não quer ódio, o Brasil quer amor", declarou.
As falas ocorreram durante a convenção estadual que oficializou a candidatura de Fernando Haddad ao governo de São Paulo. A chapa também será composta por Márcio França (PSB) como candidato a vice-governador, além de Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (MDB) como candidatas ao Senado.
O discurso também ocorreu em meio a um novo atrito diplomático entre Brasil e Estados Unidos envolvendo o processo eleitoral brasileiro. O Itamaraty negou vistos a dois integrantes da administração do presidente Donald Trump que planejavam viajar ao país para discutir o sistema eleitoral.
Segundo reportagem do jornal norte-americano The Washington Post, a Casa Branca preparava o envio de uma missão do Departamento de Estado para avaliar a lisura e a integridade das eleições brasileiras antes do pleito presidencial de 4 de outubro.
A publicação, baseada em relatos de quatro autoridades dos Estados Unidos e do Brasil, também relatou que a delegação seria composta por Riley M. Barnes, secretário-assistente, e Samuel Samson, subsecretário-assistente, cujos pedidos de visto foram rejeitados pelo governo brasileiro.
Ainda segundo o jornal, não estava claro quais medidas os representantes norte-americanos pretendiam adotar para avaliar o sistema eleitoral brasileiro nem quais autoridades ou instituições fariam parte da agenda da visita. O Brasil é frequentemente citado como referência na América do Sul pela rapidez na apuração dos votos, com os resultados sendo divulgados poucas horas após o encerramento da votação.
Nos bastidores, integrantes do governo brasileiro ouvidos pelo SBT News, sob condição de anonimato, avaliam que há uma atuação coordenada entre a iniciativa da gestão norte-americana e a campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República.
A avaliação ocorre após Flávio voltar a questionar o sistema de urnas eletrônicas ao afirmar, em discurso recente, que o equipamento utilizado no Brasil teria a mesma origem das urnas da empresa venezuelana Smartmatic. A declaração, porém, é falsa.