O ministro do Interior da Itália, Matteo Piantedosi, oficializou, nesta sexta-feira (31), a suspensão temporária das fronteiras marítimas e aéreas com a Espanha. Desta maneira, o regime de livre circulação de Schengen estabelecido entre os dois países está interrompido.
A medida havia sido anunciada, na quinta-feira à noite, pela primeira-ministra Giorgia Meloni e pelos vice-primeiros-ministros Antonio Tajani e Matteo Salvini, logo após a chegada de milhares de migrantes ao enclave espanhol de Ceuta, no norte de África.
Nas redes sociais, o ministro italiano dos Negócios Estrangeiros, Antonio Tajani, escreveu que a suspensão é uma escolha necessária para proteger a segurança dos cidadãos e defender as fronteiras europeias.
“Trata-se de uma medida prevista nos tratados e que se tornou agora inevitável. A crise migratória em Ceuta lembra-nos que a gestão das fronteiras da União é uma responsabilidade partilhada entre os nossos países, uns para com os outros. Temos de trabalhar em conjunto para impedir que fluxos descontrolados de migrantes entrem no território da UE, juntamente com todos os riscos daí decorrentes e a ameaça do terrorismo, que deve ser combatida sem hesitação”, defendeu.
Em resposta, também nas redes sociais, o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, escreveu que “a solidariedade e empatia são opcionais, mas o respeito pelos tratados e dados europeus não é”:
A suspensão foi feita mesmo após o Ministério do Interior espanhol ter informado hoje que mais de 37,5 mil imigrantes que entraram ilegalmente em Ceuta já retornaram a Marrocos.
A migração em massa fez com que o governo federal espanhol mobilizasse cerca de 400 policiais nacionais e da Guarda Civil, além de militares do Exército. Estima-se que cerca de 60 mil pessoas cruzaram a fronteira a nado e que mais de 50 morreram na travessia.
O Acordo de Schengen é um tratado europeu que acabou com o controle de fronteiras entre a maioria dos países da Europa, criando uma zona de livre circulação de pessoas. Ele permite que pessoas viajem entre os países membros sem precisar mostrar passaporte nas fronteiras internas.