Começou nessa quinta-feira (30), na sede das Nações Unidas, em Nova Iorque, a primeira rodada de votações para definir o próximo secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU). Sete candidatos disputam a sucessão de António Guterres, que deixará o cargo em dezembro, após completar dois mandatos consecutivos à frente da organização.
A escolha ocorre por meio das chamadas “straw polls”, votações informais e confidenciais realizadas entre os 15 integrantes do Conselho de Segurança da ONU.
Tal etapa serve para medir o nível de apoio de cada candidato e reduzir gradualmente a lista antes da recomendação oficial à Assembleia Geral, responsável pela nomeação do novo secretário-geral.
Para avançar no processo, um candidato precisa reunir pelo menos nove votos favoráveis no Conselho de Segurança e, sobretudo, evitar o veto de qualquer um dos cinco membros permanentes do órgão: China, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia.
Em cada rodada, os integrantes do Conselho avaliam todos os concorrentes por meio de três opções: “incentivar”, “desencorajar” ou “sem opinião”. Como a votação é secreta, os resultados detalhados não são divulgados oficialmente, embora o desempenho dos candidatos costume influenciar as negociações diplomáticas nas semanas seguintes.
Sucessor de Guterres
A disputa reúne cinco candidatos das Américas e dois da África. Representando a América Latina e o Caribe estão Carolyn Rodrigues-Birkett, da Guiana; María Fernanda Espinosa, do Equador; Michelle Bachelet, ex-presidente do Chile; Rafael Grossi, diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA); e Rebeca Grynspan, ex-vice-presidente da Costa Rica e atual secretária-geral da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad).
Pela África, concorrem o ex-presidente do Senegal, Macky Sall, e o diplomata ugandense Olara Otunnu, ex-subsecretário-geral da ONU e ex-representante especial para Crianças e Conflitos Armados. Otunnu foi oficialmente incluído na disputa em 24 de julho, tornando-se o último candidato a entrar na corrida.
A eleição deste ano também reacende o debate sobre a representatividade na liderança da ONU. Em mais de oito décadas de história, a organização teve nove secretários-gerais — todos homens. A expectativa de diversos países é que o processo atual possa abrir espaço para a escolha da primeira mulher a comandar as Nações Unidas.
Após as rodadas informais de votação, o Conselho de Segurança deverá recomendar um único nome à Assembleia Geral, que fará a nomeação formal do novo secretário-geral. O mandato terá início em janeiro de 2027.