O candidato à Presidência Renan Santos (Missão) defendeu, nesta terça-feira (18), a extinção da Justiça do Trabalho, além de tecer críticas à PEC que põe fim na escala 6×1. Durante participação em evento, em Brasília, o presidenciável propôs a instituição de um regime de contratação baseado em horas trabalhadas e disse que a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) “já era”.
Renan Santos chamou o fim da escala 6×1 de “maluquice” e disse que, caso seja eleito, irá acabar com a Justiça trabalhista.
“(O fim da 6X1) é uma maluquice. O Congresso Nacional está tomado por covardes. Se acovardaram diante do governo e do projeto daquela Erika Hilton. Isso vai ser quebradeira da economia. No meu governo, isso vai ser enterrado. Não vamos mais ouvir falar disso. E precisamos acabar com a Justiça do Trabalho”, declarou o pré-candidato.
A declaração foi dada durante o evento Encontro com Presidenciáveis – Diálogo pelo Futuro do Brasil, promovido pela União Nacional de Entidades do Comércio e Serviços.
Na semana passada, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) intensificou a articulação para tentar aprovar, antes das eleições de outubro, PEC que acaba com a escala de trabalho 6×1. O tema tornou-se uma das prioridades da pauta do Senado.
O candidato do Missão disse que, atualmente, a maior parte da população trabalha de forma autônoma e afirmou que, atualmente, o modelo de contratação por horas trabalhadas seria o ideal.
“A CLT já deu. Já era. A maior parte dos serviços estão trabalhando com o regime microempreendedor individual (MEI). Que tal agora a gente criar um regime definitivo, pela hora de trabalho? É o que o meu governo vai criar. Um regime que remunera pela hora de trabalho. O lobby da Justiça do Trabalho, o lobby dos políticos de esquerda é sempre para desunir e atrapalhar pessoas que no fim do dia são colaboradores”, disse.
A legislação trabalhista estabelece o limite máximo de 8 horas diárias e 44 semanais de trabalho. O total mensal padrão é de cerca de 220 horas. O tempo excedente deve ser pago pelas empresas como horas extras.
Uma pesquisa divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) em junho deste ano mostra que o modelo CLT é a preferência de um terço dos trabalhadores que procuraram emprego recentemente.
Entre os jovens, a escolha pelo emprego formal é ainda mais forte, pois 41,4% dos trabalhadores de 25 a 34 anos preferem CLT; 38,1% dos jovens de 16 a 24 anos também priorizam esse modelo.