Equipes da Polícia Federal (PF) e técnicos da Controladoria-Geral da União (CGU) cumpriram na manhã desta segunda-feira (10), oito mandados de busca e apreensão na sede do Instituto de Previdência dos Servidores Públicos de Maceió (Iprev), em Maceió.
Segundo a assessoria da PF em Alagoas, os mandados foram determinados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e tem como foco a investigação de possíveis fraudes na aplicação de recursos previdenciários do município.
As diligências fazem parte de um inquérito que apura eventuais irregularidades em investimentos com recursos do Regime Próprio de Previdência Social (RPPS) de Maceió. No centro da investigação estão duas operações de aplicações feitas nos anos de 2023 e 2024. A primeira operação teria envolvido R$ 80 milhões, e novos aportes elevaram o volume para cerca de R$ 117 milhões, em Letras Financeiras emitidas pelo Banco Master. As investigações tentam esclarecer como se deram todas as etapas que antecederam os aportes, incluindo o processo de credenciamento da instituição, a cotação dos ativos, a análise de risco, os mecanismos de governança e a tomada de decisão dentro do instituto.
O vereador Rui Palmeira (PSD) - ex-prefeito de Maceió - classificou como positiva a ação realizada pela PF na sede do Iprev. Ele afirmou que aguardava há meses uma investigação sobre os investimentos feitos com recursos dos aposentados de Maceió. Em julho, a Justiça de Alagoas analisou uma ação relacionada aos investimentos e negou pedido de bloqueio de R$ 117 milhões em bens. Na decisão, o Judiciário considerou que não havia comprovação, naquele momento, de dano efetivo ao patrimônio público e destacou que o processo de liquidação do Master ainda estava em andamento, com possibilidade de recuperação parcial ou integral dos valores.
Ainda segundo a Polícia Federal, há indícios que podem apontar para a prática de gestão fraudulenta dos recursos, embora outras possíveis irregularidades também estejam sendo analisadas no curso da investigação. A corporação destacou que o objetivo das buscas é reunir documentos e provas que auxiliem no aprofundamento das apurações.
Em junho, o Sindicato dos trabalhadores da Saúde, Previdência, Seguro Social e Assistência Social (Sindprev), o Movimento Unificado dos Servidores de Maceió e a CUT/AL entregaram uma denúncia que questiona R$ 117,9 milhões destinados ao Master e outros R$ 51,5 milhões aplicados no fundo imobiliário Nest Eagle. As entidades pediram a investigação das decisões tomadas na gestão dos recursos previdenciários.
Em Nota, a diretoria do Maceió Previdência informou que sempre tem prestados as informações solicitadas pelas autoridades.
"O Maceió Previdência informa que vem colaborando, desde o início, com as investigações, prestando todos os esclarecimentos e fornecendo as informações solicitadas pelas autoridades competentes. O Instituto reforça que os atos relacionados aos investimentos observaram os ritos legais e administrativos aplicáveis e destaca que seu patrimônio cresceu de aproximadamente R$ 400 milhões, em 2021, para mais de R$ 1,6 bilhão atualmente, garantindo a capacidade de pagamento de aposentados e pensionistas".
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