Em 2025, cerca de 830 mil celulares foram roubados ou furtados no país, uma média de um aparelho levado a cada 38 segundos, mostrou o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quinta-feira (23). A taxa foi de 389,3 ocorrências para cada 100 mil habitantes.
Por outro lado, os dados mostram uma queda de 9% em comparação com 2024, quando foram registrados cerca de 909 mil celulares levados. Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o resultado está associado à queda de 18,6% dos roubos no período. Já os furtos permaneceram estáveis, com crescimento marginal de 0,9%.
A variação também mostra uma tendência dos tipos de crimes praticados na última década. A primeira vez que o número de furtos superou o de roubos foi em 2022, e, desde então, tem ganhado distância entre as modalidades de crime por patrimônio.
“Com essa mudança no padrão criminal, atualmente 6 em cada 10 celulares subtraídos hoje no Brasil são fruto de furtos e 4 em cada 10 são derivados de roubos”, destaca o Fórum.
De acordo com o levantamento, algumas hipóteses para a dinâmica observada incluem a expansão de câmeras de monitoramento, queda no preço de aparelhos no mercado ilegal e até a implementação de políticas públicas, como o Programa Celular Seguro, do Ministério da Justiça e Segurança Pública.
“Uma redução (em roubos de celulares) dessa magnitude e em praticamente todo o território nacional merece ser investigada, afinal, precisamos compreender o que funciona para frear este crime que gera tanta sensação de insegurança”, consta no relatório.
Dinâmicas distintas
O relatório aponta que os crimes de furto e roubo operam em lógicas distintas. Os furtos de celulares, por exemplo, têm maior incidência aos finais de semana, período que concentra 34,5% das ocorrências.
Os roubos, por sua vez, ocorrem mais nos dias úteis, com concentração de 73,1%, com picos de registros nas sextas, com 15,2%. Além disso, roubos acontecem mais no período noturno, entre 18h e 23h, com cerca de 40% das ocorrências.
“Como o roubo é um crime que exige interação entre o criminoso e a vítima, é de se supor que no período noturno seja mais simples para os assaltantes fugirem, e também com menos testemunhas”, explica o relatório.
Além disso, o Fórum Brasileiro de Segurança Pública destaca que uma prática comum durante roubos é quando o criminoso obriga a vítima a entregar o celular desbloqueado, ou até mesmo informar suas senhas.
Os furtos, por sua vez, costumam ocorrer com o celular bloqueado, por isso limitariam “seu valor principalmente à venda de peças ou à revenda em mercados informais”.
Nessa lógica, o fórum aponta que o programa Celular Seguro pode estar sendo mais eficaz para combater o roubo de aparelhos, tendo impacto menor sobre os furtos, já que o seu objetivo é de dificultar o acesso às contas e recursos financeiros das vítimas.
Monitoramento do mercado ilegal
O Celular Seguro, instituído em 2023, é um programa voltado ao rastreamento e bloqueio de celulares roubados. Em junho de 2026 tornou-se também política permanente, formalizada pelo presidente Lula em decreto presidencial.
A nova alteração no programa foi responsável, ainda, por criar o Banco Nacional de Celulares com Restrição (BNCR), uma base de dados que unifica informações sobre celulares roubados em todos os 26 estados e no Distrito Federal.
A plataforma deverá contar com dados colhidos na fase anterior do Celular Seguro, boletins de ocorrência e aparelhos em situação irregular no Cadastro de Estações Móveis Impedidas (CEMI). O governo estima que 2,9 milhões de aparelhos serão localizados para recuperação aos donos.
De acordo com a Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), todos os donos de celulares de origem ilegal receberão notificações pedindo a sua devolução. Além disso, os aparelhos serão progressivamente inviabilizados, com restrição ao uso de aplicativos do governo, dos bancos e, por fim, do sistema operacional completo do aparelho.
O governo informou ainda, que o BNCR permitirá que o cidadão evite comprar um celular roubado ou furtado. Por meio do aplicativo do Celular Seguro ou página na internet, será possível conferir se o celular está em situação irregular a partir do número do IMEI, o código de 15 dígitos que serve como identidade única de cada celular.